31 de outubro de 2017

Projeto oferece casas sustentáveis e de baixo custo para desabrigados

Estima-se que o mundo viva, nos dias atuais, a pior crise humanitária desde o período das Grandes Guerras. Milhões de pessoas estão se deslocando entre países em busca de um lar mais estável e permanente, com segurança e fartura de alimentos e outros recursos naturais, como água potável. Visando ajudar essas pessoas, arquitetos e engenheiros de diversas nacionalidades têm apresentado propostas de cunho social, destacando a crescente conscientização dos profissionais com o momento que se enfrenta. Este é o caso do Projeto Casa S, exibido na Bienal de Arquitetura de Chicago, em 2015.

O protótipo Casa S

Desde 2013, o estúdio de design Vo Trong Nghia Architects – com escritórios na cidade de Ho Chi Minh Hanoi, no Vietnã – tem feito diversos estudos para a construção de habitações de baixo custo. A empresa explorou, durante muitos anos, materiais naturais, como o bambu, como forma de abordagem mais sustentável para a arquitetura. Sua equipe tem realizado experimentos para ajudar, com soluções mais simples e baratas, a camada social carente do seu país. Se a ideia der certo, eles poderão também ajudar a construir alojamentos para os milhões de refugiados existentes ao redor do mundo.

O primeiro exemplar de construção do Projeto Casa S foi erguido na província de Long An, na região de Chau Tho Song Me Kong. Trata-se de uma resposta às crescentes crises econômicas e ambientais do planeta, principalmente à grande massa de desabrigados existentes no país.O design do protótipo acabou, aos poucos, sendo aprimorado até chegar a um modelo possível de ser produzido em larga escala, facilmente transportado, montado e, por fim, atender às mais variadas condições geográficas.

“Vo Trong Nghia é um arquiteto muito bom e sua empresa projetou algumas casas unifamiliares realmente bonitas, mas eu acho que projetar um protótipo para habitação em massa apresenta um conjunto inteiramente diferente de desafios” –  Chang Jiat Hwee, professor assistente de arquitetura da Universidade Nacional de Cingapura, em entrevista ao jornal The New York Times.

 Unidades S pré-fabricadas

Modelos estruturais pré-fabricados sempre foram um ótimo recurso para a arquitetura e engenharia civil voltadas a resolver problemas de habitação social. A Europa, entre os séculos XIX e XX, foi pioneira neste tipo de abordagem. Porém, em geral, seus métodos eram falhos, pois desconsideravam detalhes locais, como política, finanças, variações de clima e de materiais disponíveis, sem contar os gostos e desejos de cada comunidade. Pois as Casas S foram projetadas, justamente, para atender as pessoas das áreas mais remotas da Terra, como a que se encontram em campos de refugiados, favelas e regiões atingidas por desastres naturais.

A Vo Trong Nghia Architects projetou 3 Casas S. Elas têm em torno de 30m² – divididos em módulos, que podem ser acrescidos dependendo das necessidades dos usuários ou da expansão das famílias. Seu design faz relação com o estilo de vida simples dessas pessoas e visa otimizar as funções de cada espaço. Os materiais escolhidos para composição dos ambientes são bastante resistentes, podendo suportar intempéries, tempestades tropicais e ainda ter uma vida útil de trinta anos. Houve um cuidado especial dos projetistas para que tudo seja possível de ser produzido industrialmente ou coletado na natureza, de acordo com que for disponível.

 A montagem dos modelos vietnamitas

Hoje, os protótipos um, dois e três das Casas S já estão disponíveis no mercado. Suas principais peças estruturais são fabricadas em Ba-vi, um distrito próximo de Hanói, a capital do Vietnã. Elas são feitas em aço galvanizado, por isso estima-se que serão tão duráveis, regulares, além de leves, o que possibilitará facilidade de transporte – inclusive internacional – e montagem. As conexões são simples de serem parafusadas. Um quadro completo pode ser erguido numa média de três horas.

A Casa S 1 é a de estrutura mais leve. O segundo e terceiro modelos foram testados em materiais diferentes. Um com fechamento em concreto usinado, juntamente com uma armação em aço – que oferece maior estabilidade ao conjunto à longo prazo, mesmo diante da ação de terremotos e tufões. E outro com painéis naturais. Entre as estruturas metálicas, haveria folhas secas, fibras de palha, de coco e outros materiais coletados nos locais das construções. Este último tipo, incomparavelmente, possui mais vantagem quanto ao isolamento termo acústico.

Fonte: Blog da Engenharia