Exposição no Crea explica recuperação dos silos do Moinho Motrisa

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Foi no dia 27 de abril de 2014, quando um  dos silos do Moinho Motrisa acabava de explodir esparramando toneladas de grãos de trigo, danificando carros, casas e causando prejuízos a moradores e comerciantes que estavam no local. Nesta terça-feira, 7, um ano dois meses e sete dias após o  fatídico acidente – sem vítima fatal – o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL) realizou um debate técnico com diretores e engenheiros do Motrisa para esclarecer, pela primeira vez,  sobre o que é que está sendo feito, como engenharia, na recuperação não somente do silo que rompeu mas dos outros que foram afetados pela explosão.

O trabalho que está sendo feito foi apresentado aos conselheiros, representantes das coordenadorias de Defesa Civil Municipal e Estadual, pelos engenheiros Paulo Godoy, Edward Uchoa e Kleber Demétrius Ribeiro. Antes da exposição em que foram apresentados slides dos silos, a equipe elogiou o interesse do Crea em saber como está o serviço da recuperação.

“Hoje é a primeira vez que somos chamados por um órgão de defesa da sociedade para explicar o que ocorreu naquele fatídico 27 de abril. Agradeço a você, Dacal e a todos os conselheiros pelo espaço”, disse o diretor do Motrisa, engenheiro mecânico Paulo Godoy, ressaltando que a recuperação e o reforço dos silos, que têm 50 anos de estrutura, estão sendo feitos com absoluta segurança e que as colunas dos silos rompidos não voltarão a funcionar porque não serão colocados mais trigo lá dentro.

SEM CARGAS – Os engenheiros que estão tratando da recuperação garantem que os silos vão ficar seguros em termos de rigidez e estabilidade porque vão ficar vazios. Disseram que seis silos menores interditados após a explosão tinham pequenas fissuras, mas não ofereciam uma situação de ruínas apesar de serem esvaziados.

Godoy lembrou o ano difícil para a empresa que até ventilou a possibilidade de ir embora de Alagoas. “Mas não posso deixar de mencionar uma entidade que muito me auxiliou naquele momento (disse referindo-se ao Crea) e que, através de seu corpo técnico nos deu grande apoio com a indicação de peritos para fazermos um serviço que hoje estamos no item de segurança avaliado em 100% e correndo atrás do prejuízo. Estamos tratando o que já estava doente e estamos também fazendo a recuperação, o que garante que não haverá mais deformações ao eliminarmos os riscos. Os sintomas geradores dos problemas estruturais estão sendo combatidos”, assegurou o engenheiro.

MUDANÇA – Os representantes do Moinho mostraram na plenária que o nível de fissuração encontrados nos silos está sendo combatido com um revestimento protetor e que a evolução de uma fissuração depende, como sempre, da falta de manutenção.  Godoy diz que a empresa procura uma área de 20 hectares no Polo José Aprígio vilela para construir uma nova unidade e sair do bairro do Poço, instalado há 80 anos, quando o local tinha pouco adensamento populacional. “Caso não aconteça só nos resta sair para outro estado”, disse.

O engenheiro deixou claro que não há mais condições do moinho permanecer onde está, até porque surgiu o problema da faixa exclusiva de ônibus e que de certa forma dificulta – na visão do diretor – o escoamento da produção de 10 mil toneladas de grão mensalmente ficando logisticamente inviável para o tráfego de caminhões que geralmente carregam 13 toneladas de grãos na direção do porto de Maceió.

presidente do Crea, Fernando Dacal demonstrou sua preocupação caso haja a possibilidade da saída do Moinho Motrisa para fora de Alagoas porque iria repercutir no aumento do trigo e quem ficaria prejudicado seria o consumidor dos produtos derivados do grão.