Instituto Terraviva recebeu premiação da ONU por combate à desertificação

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No último dia 17 de junho, uma equipe da ONG alagoana Instituto Terraviva, registrado  no Crea Alagoas, foi homenageada pelo Programa  Dryland Champions  da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação – UNCCD, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, e ainda reconhecida por suas atividades agroecológicas ao dar uma contribuição efetiva e prática ao combate à desertificação no Estado de Alagoas. A premiação ocorreu na cidade de Caicó, em Rio Grande do Norte, em comemoração do Dia Mundial de Combate à Desertificação.

Segundo o engenheiro agrônomo Ricardo Rocha Ramalho Cavalcanti, diretor da ONG, a identificação do tema desertificação com o Instituto remonta aos primórdios de sua atuação, quando executou os projetos “Apoio à Produção e Gestão Agroecológica Familiar (ECORURAL)”, em 2002-2003 e “Manejo Agroecológico da Caatinga (MAC)” entre 2005 e 2007.

“O primeiro, em convênio com a SEAGRI e o segundo, resultou de chamada pública do MDA/SAF, em 2005. Neste, foram assistidas 1.000 famílias da pequena agricultura, distribuídas em 20 comunidades rurais periféricas e difusas com relação aos centros urbanos, selecionadas por essas características, em 5 municípios do Médio Sertão Alagoano”, explicou.

Segundo o engenheiro, durante dois anos, utilizando-se de uma metodologia inovadora, essas famílias participaram de atividades que permitiram, dentre outros objetivos menores, conhecer melhor o bioma em que viviam, especialmente, suas potencialidades, e construir modelos de convivência com o meio ambiente da Caatinga. “Neste contexto, estava incrustado o combate à desertificação e a mitigação de seus efeitos”, salientou.

Ricardo Ramalho, que recebeu a certificação, disse que o objetivo principal do projeto foi construir arranjos produtivos sustentáveis na Caatinga que barrem o conhecido processo predatório secular, imposto pelo modelo dominante de uso da terra para fins agropecuários. “Aplicaram-se metodologias inovadoras na condução das atividades, bem como, práticas e tecnologias condizentes com essas premissas”, completou.

MURETAS DE PEDRAS – No assentamento rural de Poço Salgado, município de Santana do Ipanema, a equipe executora se deparou com graves limitações de relevo e pedregosidade, somadas às conhecidas condições de escassez hídrica, em lotes com áreas de 8,5 ha. Para enfrentar esse entrave edafoclimático, disse Ramalho que se discutiram alternativas endógenas de superação do problema que moldaram um conjunto de procedimentos de manejo que resultaram em significativa elevação do nível socioambiental das famílias assentadas.

“Nessa teia tecnológica sobressaíram-se as muretas de pedras. Com essa tecnologia social se conseguiu alavancar um processo de crescimento da comunidade sob os ângulos econômicos, sociais e, sobretudo, ambientais”, ressaltou. Segundo o engenheiro agrônomo, as muretas de pedras, como passaram a ser conhecidas, apresentam, também, outras denominações, em diversas partes e povos do mundo. Entretanto, no Estado de Alagoas e, notadamente, na região do projeto eram, absolutamente, desconhecidas. A implantação da tecnologia passou a ser uma referência na comunidade, recebendo visitas de caravanas de estudantes, professores e agricultores familiares da região.

O Programa da ONU, Dryland Champions, é destinado a homenagear as atividades de organizações que fazem uma contribuição prática ao Manejo Sustentável de Terras.